domingo, 6 de julho de 2008

Viver é acordar de um sono milenar.
Perante à eternidade, os milênios são minutos...
O espírito depende séculos na conquista de uma única virtude.
Nossos olhos imperfeitos não vêem a perfeição da Obra da qual fazemos parte.
É preciso apequenar-se para engrandecer-se...
De que vale à ciência a conquista das estrelas, ignorando o que se passa no fundo dos oceanos?
Os que avançam não mais desejam retroceder...
O homem, em detrimento do que é, valoriza o que não é.
Corre atrás do que se esvai...
Tenta deter os raios do Sol entre os dedos..
Exige dos outros o que não faz.
Cobra o que não está disposto a pagar.
Sonha com o Céu, sem renunciar à Terra.
Por isto, entra vida, sai vida, ele pouco se altera...
Quem se distrai com a visão dos outros, não se enxerga.
Ninguém pertence à ninguém, e todos naturalmente se possuem.
O homem, para vencer suas imperfeições, deve primeiro admití-las.
Retifique com uma mão o que danificou com a outra.

Não queira desferir um vôo para o qual suas asas não estão preparadas...
Mas não se acomode na lama em que rasteja...

É preciso quebrar algemas.
Algemas de preconceito e fanatismo.
Algemas de formalidade e convenção.

Não deve conformar-se com o que é.
Mas virar-se do avesso, expôr as próprias entranhas à mostra.
Exigir sempre mais de si e cada vez menos dos outros.
Cobrar-se coerência.
Ouvir mais do que falar.

o quase

pergunto-me, às vezes,
o que nos leva a escolher uma vida morna;
ou melhor não me pergunto, contesto.
A resposta eu sei de cor,
está estampada na distância e frieza dos sorrisos,
na frouxidão dos abraços,
na indiferença dos 'bom dia', quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima,
o amor enlouquece,
o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor,
sentir o nada, mas não são.
se a virtude estivesse mesmo no meio termo,
o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
o nada não ilumina,
não inspira,
não aflige
nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance,
para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. (Érico veríssimo)